Paisagens, Interiores
31 março, 2009
Um encontro entre amigos para uma cordial conversa sobre impressões pessoais a respeito do tempo e do espaço. Assim poderíamos descrever, em poucas palavras, a essência da exposição “Paisagens, Interiores”, no Instituto Moreira Salles de Porto Alegre.
Os desenhos de Eduardo Haesbaert, Fabio Zimbres e Gelson Radaelli trazem um inevitável diálogo entre si. A relação entre os trabalhos transcende o formal e vai muito além da opção de todos pela representação monocromática: fica claro ao visitante a proposta dos artistas em trazer, na forma de diálogo, impressões muito particulares sobre o tempo e o espaço. O figurativo e o gestual se complementam em uma sucessão de imagens enigmáticas e subjetivas. Contemporâneos e amigos, os artistas apresentam, coletivamente, o fruto de seus trabalhos individuais.
Haesbaert representa o espaço dentro dos limites da obra. Usa enquadramentos e vistas com forte influência fotográfica, ainda que sua linguagem sintética seja mais freqüente em trabalhos de gravura.
Zimbres nos traz planos sobrepostos que apresentam elementos do cotidiano representados de forma bem menos sintética, ainda que esteja distante de poder ser enquadrado como figurativo. Não raramente, o artista introduz em seus desenhos elementos inusitados, causando estranhamento e despertando a reflexão do expectador.
Radaelli, por sua vez, baseia-se fortemente em seu gestual, mantendo uma clara relação com o abstrato em detrimento da figuração. Seus desenhos podem levar o expectador a buscar uma relação seqüencial, ou até mesmo narrativa entre as obras, em função de uma aparente repetição de elementos.
Se, por um lado, o diálogo é inevitável, por outro, a discussão não se faz presente. O trabalho de cada um dos três artistas atua como complemento a um diálogo maior. Convivem harmonicamente entre si na galeria, como partes que se encaixam de um todo, que é a relação entre desenho e espaço trazida pelas paisagens subjetivas dos universos particulares de cada um destes artistas. A contestação ou debate, se houver, fica por conta do visitante.
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Texto criado para a disciplina de Teoria e Crítica, ministrada pela Profa. Mônica Zielinsky, no primeiro semestre de 2009.